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sábado, 6 de novembro de 2010

Flutuo


Novembro chegou por aqui trazendo as águas de um verão próximo.
Sinto vontade de cantar pra você as melhores músicas, que por mim são ouvidas, que descrevem a sustância do ser humano, a beleza da felicidade. Gostaria tanto que você as compreendesse, assim apenas ouvindo representando fielmente o que penso quando, aqui parado, eu flutuo. E essa aqui abaixo se chama "A te" quem a canta é um italiano chamado Jovanotti. Uma das minhas preferidas.

A você que é a única no mundo
A única razão para chegar bem ao fundo
De cada respiro meu quando te vejo
Depois de um dia cheio de palavras
Sem que você me diga nada, tudo se faz claro

Pra você que me encontrou na esquina com os punhos fechados
Com as minhas costas contra o muro pronto a me defender
Com os olhos baixos estava na fila com os desiludidos
Você me acolheu como um gato e me levou contigo

Para você canto uma canção, por que não tenho outra coisa
Nada de melhor para te oferecer
De tudo aquilo que tenho, pegue o meu tempo e a magia
Que com apenas um salto, nos fará voar pelo ar
Como bolinhas de sabão

Para você que é, simplesmente é, essência dos meus dias

Para você que é o meu grande amor
Para você que pegou a minha vida e dela fez muito melhor
Para você que deu sentido ao tempo sem medi-lo

Para você que me ensinou a sonhar e a arte da aventura
Para você que acredita na coragem e também no medo
Pra você que é a melhor coisa que me aconteceu
Para você que muda todos os dias e se mantem sempre a mesma

Para você nunca se agrada e é uma maravilha
As forças da natureza se concentram em você que é uma rocha, uma planta, é um furacão
É o horizonte que me acolhe quando me afasto

Para você que é a única amiga que eu posso ter
O único amor que queria, se não te tivesse comigo
Que consegue produzir no cansaço um imenso prazer.

domingo, 17 de outubro de 2010

Uma carta de amor, ridícula.

É madrugada de sábado, a noite é silenciosa por aqui e os ponteiros do relógio adiantaram-se em uma hora. Hoje eu começo com algo que espero saber dizer completamente. Sinto vontade de ter você em meus braços e o desprazer de não conseguir é aterrorizante, ouço a saudade melindrosa fazendo melancolia. Nessa noite larga sinto a sua ausência e em noites como essas, eu careço da sua presença. Por fim rompi a carapaça que me privava de externar o meu sentimento por completo, me desvencilhei do medo de declarar o meu amor, por simples medo de perceber que a coragem me faltava.
Sinto uma conhecida sensação que Neruda descreve em seus poemas, que Vinicius narrou em seus contos, sinto a felicidade agora, clara, nítida e tudo soa tão belo, tão suave, é indescritível. Ainda não sou dotado de tais argumentos para delinear a alegria que preenche o meu corpo quando você está sobre ele, quando nos vemos, ou apenas quando ouço a sua voz ao telefone. Sinto-me envolto a uma telepatia cotidiana, repentina e agradável. Sinto que devo romance a você, que falhei por não expressar as minhas frustrações ocultas, de um mero jovem desencorajado pelos tropeços do passado, pelas cicatrizes do caminho tortuoso do amor; porém hoje me sinto abastado de coragem e ternura pra dizer a você que me conquistou por completo, da minha essência; você captou o mais perfeito, do meu lado ruim; você respeitou e silenciou-se, me deixou livre, me fez elo, me faz feliz.
Por ora, tudo seria tão redundante, tão previsível, porém, isso não são desculpas para que eu deixe algo flutuando; mereço ser explicito, refinado a um toque sutil, de algo entrelinha, dos meus gostos, das nossas alegrias.
Prefiro ser ao seu lado, prefiro sentir a saudade, a não senti-la; comovo-me por saber que você me encontrou, que dos mais comuns, eu fui o escolhido; daqueles que buscam o amor, eu o encontrei. Sim! Existe. E se me foge as inspirações, ainda terão os seus abraços para me aquecer e os seus lábios para me inspirar, meu refúgio em noites perturbadas, meu caminho em dias nebulosos, meu prumo.
Sinto-me forte para dizer que são os seus olhos que quero que me olhe, que quero suas palavras a me elogiar, e dos seus cuidados para me devolver o equilíbrio. E se todas as cartas de amor são ridículas como já escreveu Álvaro de Campos, essa não será menos ridícula, por que nela é nítida a minha insanidade, a minha alegria e o meu amor por você.


“É assim que te quero, amor,
Assim, amor, é que eu gosto de ti,
Tal como te vestes
E como arranjas os cabelos e como a tua boca sorri, [...]

Chegastes à minha vida
Com o que trazias, feita de luz e pão e sombra,
Eu te esperava,
E é assim que preciso de ti,
Assim que te amo,
E os que amanhã quiserem ouvir
O que não lhes direi, que o leiam aqui.
E retrocedam hoje porque é cedo
Para tais argumentos. [...]


Amanhã dar-lhes-emos apenas
Uma folha da árvore do nosso amor, [...]

Para mostrar o fogo e a ternura
De um amor verdadeiro”.

Pablo Neruda

sábado, 9 de outubro de 2010

Desapego

Vamos fazer uma faxina, desapegar das roupas velhas, das coisas que já não nos cabe. Retirar o pó das fotografias, sentir o cheiro agradável de limpeza. Vamos aproveitar pra ligar aos nossos amigos, avisá-los que estamos bem e deles sentimos falta nessa agitada rotina cotidiana. Proponho que apaguemos os dias cinza e enxerguemos o sol que nasce pela manhã de maneira nova. Tomar como desafio os problemas inevitáveis. Inventemos um novo caminho, poupemos de restituir o cristal quebrado, por ora, abandoná-lo-emos e viveremos aqui um novo dia. E vamos sorrir mais, agradecer e pedir, por favor, a cada pedido iniciado. Vamos viver na delicadeza e demonstrar o respeito tão escasso. Espero ansiosamente tornar o nosso dia mais fácil, menos triste. Vamos todos sorrir após o bom dia, mesmo aquele dado sem intenção, por puro responder.
Hoje o sol nasceu e iluminou o céu azulado entre poucas nuvens brancas, a terra secou e já começou a vida das plantas novas, do ser humano motivado, de nós, reles mortais. As árvores estão agitadas pelo toque do vento e esse é o ponto de renascer. Vamos partir daqui, motivados por nossa vontade sem esperar uma perspectiva dada. Por favor, não se destruía mais, diga: “Eu posso, eu vou ser, tudo é possível”. Vamos caminhar um pouco, enxergar a nossa vida de maneira saudável e com perspectiva, criar novos caminhos. Confio em você, me chame para compartir nossos planos, para rir, pra chorar e voltar a sorrir, por que não estamos sozinhos.
Vamos agradecer a Deus, pedir coragem e iniciativa. Vamos despejar a preguiça e o cômodo.
Escute as melhores músicas, saia pra dançar, divirta-se. Planeje o seu cotidiano, faça metas, escreva uma carta, sorria, dê prazer, faça carinho, seja educado e tudo será conseqüência. Viva!
Somos feitos de relacionamentos, seja afetivo, não seja individualista, não imponha a sua opinião ditatorial, escute, seja flexível. É inevitável a ira em algumas circunstâncias, mas isso não dá créditos para fortalecer a situação nefasta; respire, pense, a ajuda é bem vinda e um olhar raivoso, uma palavra dada com rancor ou apressada de mal grado é destrutiva é sufocante. Seja menos cínico, menos irônico. Havendo discordância, posicione-se de maneira diferente, faça um hábito, silencie-se! Não promova a discórdia, não há vencedores entre tal disputa estúpida.
Hoje comprei flores, fui feliz ouvindo músicas, liguei para os meus sobrinhos e disse a minha mãe o quanto ela é importante na minha vida.
Agradeço a Deus por ter mais um dia e a alegria dentro de mim.
Obrigado amigos, por ser tão fundamentais no meu desenvolvimento e desejo a vocês, a felicidade instantânea, pelo modo simples de ser felizes, das coisas simples, daquelas que não podemos possuir por simples gesto de comprar, aproveitemos o final de semana, cada um com a sua forma de realizar-se. Vamos ser felizes. Saúde e paz, iniciativa e entusiasmo para seguirem eretos e firmes. E o amor é algo belo, que temos que disseminar, é um ato que preenche o homem que oferece, e contagia ao que recebe. Vamos nos contagiar de afeto e busco sorrir pra você, de maneira que eu consiga transmitir essa alegria entre meus lábios, aqui.

sábado, 2 de outubro de 2010

Adormecendo a razão

Escrevo em uma noite chuvosa de sábado sentindo os ruídos lentos dos meus pensamentos. A chuva cai incessante e tornam esses dias um pouco melancólicos. Caminhei essa semana com jeans e moletom de capuz por um solo encharcado, pintado de marrom escuro, meio enlameado. Fiquei frustrado com as provas da Anpec e ando desanimado, recheado por um futuro sem perspectiva. Ligeiramente confuso, um pouco medroso. Talvez eu esteja olhando o mundo por lentes embaçadas, sofro de miopia e ela pode ser a culpada por distorcer também a realidade, talvez eu apenas precise calibrar a minha serotonina, por ora um chocolate ao leite deverá resolver. Penso nas piscadelas que dou e não sou dotado de exatidão a contá-las, são livres os minutos para retroceder ao passado, viajo entre ele e o presente, por que agora me limito a entender somente esses dois tempos. O futuro espera ansioso mascarado por uma película fina de criança inocente.
Às vezes o óbvio não me apetece e os detalhes me traduzem. Meu sorriso é ligeiro, minha atuação é engessada, padeço de um estado de calmaria pressionada, porém o bode expiatório é inexistente, por aqui não há sentenças, não existem culpados. Sou eu e meu silêncio brincando como adolescentes apaixonados. Há ausência de palavras, resta um espaço aqui dentro, que é difícil definir, não é exato. Então concluo que me vou encontrar entre cobertores e duplos travesseiros, adormecendo a razão e me aventurando nos sonhos nesse fim de noite.