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sábado, 8 de junho de 2013

Eu já não mais me decepciono com as pessoas


Era uma manhã de domingo, daquelas que o sol invade o seu quarto e aquece os pés da sua cama. 
A claridade permitida pela janela aberta o fez acordar como todos os dias. Ele se levantou, se espreguiçou, escovou os dentes, fez café e encarou aquele domingo como um dia diferente. Tomou banho, colocou o seu tênis e resolveu caminhar um pouco para pensar. Estava decepcionado com as pessoas, com sua vida, com a sua rotina. 
O trabalho estava demais, seus amigos também envolvidos com seus afazeres se afastaram e ele não parecia não ter uma razão para continuar. Caminhando pela avenida ele avistou aquela praça, aqueles bancos de madeira, pintados de branco, a natureza em volta o convidava a sentar ali, pensar e meditar um pouco. Aquele momento foi decisivo para ele mudar a sua visão sobre a vida. 
“Bom dia”, ele disse àquele senhor que estava ali, sentado no banco, dando farelo de milho aos pássaros. “Garoto, porque essa cara de pensativo? Parece triste? Aconteceu alguma coisa?” Ele ficou surpreso pela indagação daquele senhor, pensou se estava assim tão nítido o seu desânimo e respondeu monossilábico: “sim”. O senhor sorriu, como se não acreditasse naquilo. E continuaram ali por mais alguns minutos em silêncio, até que o senhor perguntou novamente: “Você está vendo esses passáros? Eles não se preocupam muito com o que vão comer, ou como suas vidas, aparentemente, parecem monótonas e sem novidades, é assim que temos que refletir sobre as nossas relações.” 
E mais uma vez o menino, de moleton e tênis, não acreditava naquele monólogo, mas resolveu conversar com aquele simpático senhor. “Sabe, quando você está decepcionado com as pessoas ao seu redor? Quando todos parecem fazer coisas que você não concorda e isso afeta você de tal modo que a sua vida pede uma mudança? Estou me sentindo assim. O trabalho está sugando as minhas energias, não tenho tempo para fazer as coisas que gosto, me afastei um pouco da minha família e meus amigos devem estar também ocupados com suas rotinas inevitáveis, isso tudo está me deixando sem perspectivas para continuar.” 
O velhinho escutou todo aquele desabafo atentamente e o perguntou se era permitido dizer o que ele pensava, e o menino, como se pedisse isso, abaixou a cabeça e disse um sim quase inaudível. 
“Jovem, a vida o tornará mais forte se você conhecer seus limites, se você disciplinar suas emoções e entender as pessoas. São essas experiências que o moldará, que o fará com que esteja pronto para novos desafios, o que acontece com você hoje é um exercicío para alcançar degraus superiores. 
Você precisa confiar em você, é necessário acreditar que tem um coração forte, não precisa se envergonhar de nada, não deve se sentir impotente, deve conhecer seus limites, isso é uma atitude sábia. Já tentou dizer que tal trabalho você não poderá executar naquele momento?Ou se dispor em fazer em um futuro próximo? Abraçar o mundo é um erro, você ainda não tem toda a bagagem necessária para fazer isso, afinal nunca podemos acreditar que podemos fazer tudo e agradar a todos, isso se chama humildade, ela o faz reconhecer que somos pequenos, porém capazes de fazer tudo, dentro do nosso limite. 
Sobre disciplinar suas emoções e entender as pessoas, acredito ser o essencial para se sentir bem.Ninguém é igual a ninguém, vivemos em um mundo em que nada é igual e querer que todos ao nosso redor atendam as nossas expectativas é encarar a vida com olhos superficiais e imaturos. Pense que as pessoas que decepcionam você, na verdade, não decepcionaram você, mas a fantasia que você criou de como elas deveriam agir, elas agem do modo que são e aprenderam.Foi você que criou essa fantasia e com base nessa percepção limitada e isolada, você se decepciona. 
Sugiro que mude de atitude e passe a encarar as pessoas com suas virtudes e defeitos, que o que fazem não é para afetar você diretamente, elas somente realizam ações conforme aprenderam, um mecanismo de viver de acordo com os seus ideais. Entender isso é se bloquear de sentimentos de decepção, tristeza que desmotiva e viver direcionando o seu crescimento, aproveitando as oportunidades de lidar com conflitos e amadurecer.” 
E o menino ouviu cada palavra do senhor, refletindo a cada frase, e perguntou: “Seria eu assim tão ingênuo de acreditar nas pessoas e permitir que façam coisas que me ferem?” 
E o sábio sorriu e começou a falar: “Jovem, é tão natural esse seu questionamento, quanto é a fotossíntese para essas árvores. Não se preocupe em pensar o que os outros pensam sobre você, afinal não temos responsabilidade sobre os pensamentos alheios, cuide do seu caráter e em não ferir o seu próximo, cuide de executar suas obrigações de maneira correta, seja simples, entenda que cada indivíduo erra assim como você.
Peça desculpas se magoou alguém, seja sincero com você mesmo e acredite que a vida só trará a você oportunidades, mesmo que no primeiro momento você acredite que não são.Confie nas pessoas, elas são maravilhosas. 
E quanto ao amor, esse sentimento difícil de descrever e definir, sugiro que medite sobre a frase do escritor português, Fernando Pessoa: Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.” 
E depois de toda aquela conversa, o jovem se tornou mais confiante, agradeceu ao senhor por suas palavras de incentivo, apertou a sua mão direita, sorriu, levantou, e partiu para mudar a sua rotina.

domingo, 5 de maio de 2013

Alguém que eu costumava conhecer


Sinto escrever a você essas linhas verdadeiras, alguns dirão que é somente mais uma jovem desiludida e melancólica, porém, você não julgará assim, pela nossa amizade que a mim é cara, acredito que me entenderá perfeitamente.

Aconteceu a pouco mais de uma semana e ainda estou me recuperando, tentando sair daquela rotina diária que me acompanhou por tanto tempo. Sofro por pensar em tê-lo perdido, todavia me alegro por deixá-lo livre para seguir o seu caminho, já que agora receio mais nada tenha a acrescentar. Às vezes, a saudade me estrangula e a minha companhia são as músicas francesas, ainda que nada entenda, a melodia me conforta, canto ao coro de loucos por repetir sem nada entender. Por aqui as noites são diferentes e parece que não me reconheço e o desejo de abandonar essa fase tão dolorosa é tão urgente, sigo refém do tempo, na esperança de aprender algo com essa situação. Escrevo para tranquilizá-la, para poder contar a você como tudo acabou e, desta forma, posso colocar tudo em ordem, ao menos no papel.

Talvez agora, você consiga entender a minha ausência e reclusão. Espero a tempestade passar para ver os raios solares novamente. Saiba que a minha rotina não foi alterada, continuo com as minhas obrigações diárias e maquio a minha dor com um sorriso disfarçado. Escrevo-te com palavras recheadas de sentimentos tristes, mas quero dizer que sofro racionalmente e que sei que como a felicidade não é para sempre, a tristeza nada mais é que um descanso para a reflexão. Sinto-me privilegiada por ser dotada de tal amizade e a liberdade de te escrever me acalma.

Já não estava mais feliz e tampouco acreditava em uma recuperação desse amor, que não fora cuidado por tanto tempo. Não consigo entender como me mantive presa a algo que não existia, porém, só agora tive coragem para romper com alguém que eu costumava conhecer.

Espero que o tempo cuide das cicatrizes e me faça entender esse processo.

No próximo mês estou pensando em visitá-la, gostaria de saber se você estará disponível, pensei em irmos até o sítio do seu tio e passar um final de semana diferente. Poderíamos levar aqueles nossos Cds antigos, convidar alguns amigos da faculdade e promover um reencontro, acredito que seria uma experiência incrível.

Por favor, me escreva o mais breve possível.

Estou me sentindo bem em poder compartilhar isso tudo com você, quando receber essa carta, pode me ligar se quiser, vai entender que preferi transferir toda essa história para o papel como uma forma de descrever essa crise de maneira linear.

Nos falamos em breve, saudades de você.

Um grande abraço.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Não inveje!

 
 
"Não inveje com olhos o bem do seu irmão, pois é desconhecido pra você o presente que lhe é separado. Sinta-se feliz por compatilhar a felicidade com ele e siga a confiança do que é seu, está esperando a hora para você alcançá-lo".

Não posso!

"- Você já se sentiu assim?
- Assim, como?
- Meio triste e desanimado, cansado e pronto pra fugir?
- Fugir? Fugir pra onde?
- Sei lá, para algum lugar.
- Ah, claro. Mas eu não posso.
- Ué, porque você não pode?
- Porque eu não posso abandonar a minha oportunidade de me tornar mais forte".

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O que você está esperando?


Morávamos no campo, onde as árvores pareciam mais alegres e o vento as tocava sem cessar. Um conjunto harmonioso entre a natureza e a humanidade que me encantava. Observei que sobre seus cabelos ondulados, o sol a aquecia naquela manhã de sábado. Ela despertou com a mesma palidez de sempre, seu caminhar paciente e seu avental florido, acompanhado do lenço no cabelo, a tornavam um personagem ímpar.
Sua rotina era preenchida entre os afazeres domésticos e o cuidado com os animais.
Foi em uma manhã qualquer que tudo mudou. Ela apareceu sem o seu lenço matinal com os cabelos curtos, e no seu corpo delgado um vestido azul a trazia de um lugar que eu desconhecia. Parecia cantar enquanto dava de comer aos carneiros, parecia ter se encontrado e querer aproveitar mais a vida.
Eu a analisava através da janela do meu quarto, enquanto eu ainda estava na cama e o sol me despertava com aquela luz, ela já estava em pé, e eu, sentado na cama, abria a cortina e a via.
O que essa menina estava esperando para aproveitar realmente a vida? Porque demorou tanto para aparecer, sempre escondida por trás daquela fantasia.
Ouvi a sua voz, ela parecia cantar “Je Veux” de Zaz, sim, ela cantava: “Je Veux d'l'amour, d'la joie, de la bonne humeurc' n'est pas votre argent qui f'ra mon bonheur, moi j'veux crever la main sur le coeur”. Como isso era fantástico, ela mudou, parecia uma mulher mais feliz, transpirava felicidade e sua voz estava tão doce quanto o seu sorriso delicado. Fiquei empolgado com aquilo. Acredito que acordei realmente e pensei, o que eu estou esperando para mudar? Criei coragem e a abordei, e descobri que aquela moça, aparentemente frágil, era mais incrível que eu imaginava. Depois de algo que aconteceu em sua vida, que a transformou, ela resolveu mudar seu destino, aproveitar a natureza, compartilhar músicas, ensinar e aprender, sorrir após o bom dia, prestar atenção ao seu redor, pedir ajuda, focar na felicidade e compreender que vivemos em um mundo efêmero, no qual tudo muda, se você quiser.
E a partir daquela conversa, nos tornamos amigos, ela me ensinou a tratar os animais, como colher morangos e decorei Je Veux. Aprendi sobre plantas medicinais, geografia e um pouco de magia.
Era muito engraçado quando chovia e estávamos no meio do campo, era correr ou aproveitar a chuva, escolhíamos molhar a roupa, tirar o sapato e correr entre o capim molhado enchendo nossos pés de barro, era incrível, era a felicidade invisível invadindo e fortalecendo a nossa amizade.
E como chegou, ela se foi, aconteceu assim, um dia não mais a encontrei e boatos alcoviteiros anunciaram a sua partida. Meu mundo pareceu ficar cinza, mas pensei: eu tenho escolha! Ou fico triste, ou entendo e sigo em frente. Escolhi ser feliz e agradecer por aquele momento em que não esperei algo extraordinário acontecer para eu ser feliz, eu parti para a felicidade e a descobri. Obrigado moça de olhos e cabelos castanhos, por impulsionar a minha escolha.