Escrevo em uma noite chuvosa de sábado sentindo os ruídos lentos dos meus pensamentos. A chuva cai incessante e tornam esses dias um pouco melancólicos. Caminhei essa semana com jeans e moletom de capuz por um solo encharcado, pintado de marrom escuro, meio enlameado. Fiquei frustrado com as provas da Anpec e ando desanimado, recheado por um futuro sem perspectiva. Ligeiramente confuso, um pouco medroso. Talvez eu esteja olhando o mundo por lentes embaçadas, sofro de miopia e ela pode ser a culpada por distorcer também a realidade, talvez eu apenas precise calibrar a minha serotonina, por ora um chocolate ao leite deverá resolver. Penso nas piscadelas que dou e não sou dotado de exatidão a contá-las, são livres os minutos para retroceder ao passado, viajo entre ele e o presente, por que agora me limito a entender somente esses dois tempos. O futuro espera ansioso mascarado por uma película fina de criança inocente.
Às vezes o óbvio não me apetece e os detalhes me traduzem. Meu sorriso é ligeiro, minha atuação é engessada, padeço de um estado de calmaria pressionada, porém o bode expiatório é inexistente, por aqui não há sentenças, não existem culpados. Sou eu e meu silêncio brincando como adolescentes apaixonados. Há ausência de palavras, resta um espaço aqui dentro, que é difícil definir, não é exato. Então concluo que me vou encontrar entre cobertores e duplos travesseiros, adormecendo a razão e me aventurando nos sonhos nesse fim de noite.
Às vezes o óbvio não me apetece e os detalhes me traduzem. Meu sorriso é ligeiro, minha atuação é engessada, padeço de um estado de calmaria pressionada, porém o bode expiatório é inexistente, por aqui não há sentenças, não existem culpados. Sou eu e meu silêncio brincando como adolescentes apaixonados. Há ausência de palavras, resta um espaço aqui dentro, que é difícil definir, não é exato. Então concluo que me vou encontrar entre cobertores e duplos travesseiros, adormecendo a razão e me aventurando nos sonhos nesse fim de noite.



